domingo, 11 de agosto de 2019

DISTRATO


Contrato firmado. Quanta inocência...
Somente para consolidar a separação 
Com regras, limites e transparência 
Como se pudera limitar uma paixão 


Mantenha distância! Fale só o trivial!
Itens, desse pretensioso documento
Superando inutilmente o senso do normal
Transgrediriam, sem pensar, esse intento


Dois corações repletos de paixão 
Ousando desafiar qualquer legislatura
Romperiam sem pensar em punição 
Se libertariam por certo, dessa loucura 


Na primeira semana, do infeliz distrato
Um ardeu em febre e quase se quedou
O outro em prantos, por pouco não feneceu
E os dois, em paz, se renderam ao amor

CONFORME A OCASIÃO


Ousada feito o mar que avança desmedido
Livre feito o vento que corre sem fronteiras
Medo constante diante do desconhecido 
Destemida ou não, diante de barreiras

Do barro que fui feita, me fiz construção 
Me reconheço frágil feito um cristal 
Rigidez que se desfaz diante da paixão 
Sujeita tanto ao bem quanto ao mal

Manteiga derretida diante do sensível
Me deparo com derrotas e não aceito
Diante da batalha não sou invencível 
Me engano e me desfaço do mal feito

Não sou boa de briga, mas não provoque 
Viro fera e encaro, se houver precisão 
Sou crença e descrença a reboque 
Doce e cruel conforme a ocasião 

Me abato feito bicho morto à pancada
Mas me levanto e dou a volta por cima
Com os que amo não sou de dar mancada 
Corro atrás de tudo o que me fascina

sábado, 10 de agosto de 2019

PARTIMOS


Eu parti e tu também partistes
E o coração se enche de vazio
Onde outrora era doce a convivência 
Restou tristeza para quem partiu

Eu parti e tu conheces as razões 
De uma vida que já não nos cabe
E tu, partistes, ficando os corações 
Com o sabor amargo desse entrave

Mas nada impede que eu continue
A amar de forma inimaginável 
E somente o tempo é responsável 
Pela cura da dor dessa desfeita

O tempo cura, tudo vai passar
Conforto para a alma em sofrimento 
Mas só quem sente a dor de uma perda
Reconhece o quanto é cruel esse momento

Em vão tento sair do desalento
De minha alma tão amargurada
Uma alma destinada a alegria
Sabe que a tristeza quer fazer morada

Partimos e agora nos tornamos 
Personagens de uma história preterida
Dois loucos ansiando o improvável 
Agora, duas almas sofrendo a despedida

SEM MAIS...


Sem mais para o momento
Nada mais a ser declarado
Eu me ausento, tu te ausentas 
Não há surpresas no esperado

A luz que nos inundou no passado
Agora é sombra sem nossas fantasias
A tristeza de um fim predestinado 
Assim termina aquelas doces alegrias

Tudo findou sem evidência de comédia
E o coração despedaçado e ausente 
Trás a dor infindável da tragédia
De um final que se queria diferente

E o que sabíamos deveras acabou
Que o término teria seu tormento 
Só resta dizer... adeus meu amor
Sem mais, nada mais para o momento

CONFORMISMO


Nada a contestar
Concordo que seja assim
Se é bom para você 
Será bom para mim

Nada a acrescentar
Lhe dou razão em tudo
Não sei dizer um não 
Por não saber, fico mudo

Vou seguindo a correnteza
Vivendo uma vida linear
No meu mundo, só uma certeza
Que assim vou continuar

Não quero fazer andanças 
Na vida não tenho ambição 
Não sou afeito a mudanças
Me deixe em paz, o coração 

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

SAGRADO E PROFANO


Nada que eu fale sobre o amor
Que não fora dito ou cantado
Para o poeta nada passa impune
Seja no profano ou no sagrado

No amor profano tudo é alegoria
No uso exagerado dos amantes 
Na urgência que tem a alegria
De provocar os seus rompantes

No sagrado, o amor é comedido
Conexão direta com outro plano
Nenhum deles pode ser medido
Os dois são divinos, sem engano

Nas duas categorias de amor
Não há garantia de vitória
Para alguns, talvez, um fracasso
Para outros, quem sabe? Uma glória 

CRUEL SEPARAÇÃO


Minha mente insiste em dizer não 
Meu coração anseia por um sim
Diante de uma difícil decisão 
Tudo se encaminha para o fim

Em um dia  a alegria do encontro
No outro a tristeza da despedida
Em um momento, a alma resplandece
No outro, infeliz, pede guarida

Todos nós começamos uma história 
Com a crença infindável da vivência 
Mas tudo tem começo, meio e fim
A vida é uma eterna impermanência

E lá vamos nós chorar no ombro amigo
As dores da perda insuportável 
Mas é sábio deixar alguém partir
Sabendo que esse alguém é intocável